Traumas faciais em atletas aumentam demanda por cirurgias bucomaxilofaciais
Traumas faciais em atletas aumentam demanda por cirurgias bucomaxilofaciais
A Cirurgiã bucomaxilofacial Gabriela Mayrink explica como fraturas no rosto, comuns em esportes de contato, podem comprometer funções essenciais da face e exigem intervenção cirúrgica especializada ![]()
A prática de esportes, especialmente os de contato, oferece inúmeros benefícios à saúde, mas também carrega riscos — entre eles, os traumas faciais. Segundo um artigo divulgado pelo Brazilian Journal of Health Review, em 2023, além de acidentes de trânsito, quedas e violência doméstica, as práticas esportivas também estão entre as principais causas de lesões maxilofaciais no mundo, provocando aproximadamente 5% de todas as fraturas de mandíbula e 9% das fraturas nos dois terços superiores da face. Os acidentes relacionados ao esporte também são responsáveis por aproximadamente 10% de todos os terços médios da face.
O estudo ressalta, aliás, que o futebol é o principal esporte causador das fraturas faciais. Um caso recente é o do atacante Agustín Canobbio, do Fluminense, que após um choque com o goleiro Torgnascioli, do Unión Española, foi diagnosticado com uma fratura no osso zigomático — estrutura que forma a maçã do rosto — no lado esquerdo da face. O atleta vai precisar passar por uma cirurgia bucomaxilofacial nos próximos dias.
De acordo com a cirurgiã bucomaxilofacial Gabriela Mayrink, os ossos faciais são arquitetados para fornecer proteção e contorno do rosto, bem como colaborar nos sistemas respiratório, fonético e digestório. O que se vê, atualmente, no entanto, é cada vez mais atletas profissionais e amadores com necessidade de intervenção cirúrgica após sofrerem fraturas nestes ossos durante competições ou treinos.
“Já acompanhamos casos de jogadores de futebol, lutadores, ciclistas, praticantes de esportes radicais e até atletas de quadra que sofreram traumas importantes na região facial e precisaram passar por cirurgia para correção de fraturas no nariz, mandíbula, maxilar ou osso zigomático (maçã do rosto). Vale dizer que estas lesões afetam não só a saúde física dos atletas, como também a emocional, impactando na rotina e até mesmo criando um afastamento dos treinos e a redução do seu desempenho”, explica Gabriela.
Segundo a cirurgiã bucomaxilofacial, as fraturas faciais podem comprometer funções essenciais como mastigação, respiração e visão, além de provocar assimetrias estéticas e dores intensas. Em muitos casos, a cirurgia bucomaxilofacial é necessária para reposicionar os ossos, restabelecer a anatomia e garantir a plena recuperação funcional.
Gabriela Mayrink alerta ainda para a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento especializado. “A avaliação de um cirurgião bucomaxilofacial após um trauma é essencial para evitar sequelas permanentes. Mesmo que o impacto pareça leve, ele pode ter gerado microfraturas que só são detectadas com exames de imagem, como uma tomografia”, diz.
Segundo ela, a recuperação geralmente envolve repouso, acompanhamento médico e, em alguns casos, fisioterapia. “O mais importante é garantir que o paciente, especialmente quando se trata de um atleta, retome suas atividades com segurança e qualidade de vida”, conclui.