Pesquisa relaciona dietas restritivas a depressão
Pesquisa relaciona dietas restritivas a depressão
Efeitos negativos foram ainda maiores em homens e pessoas com sobrepeso. Rodolfo Damiano, pós-doutorando em Psiquiatria pela USP, explica os resultados
Sentir fome é o primeiro passo para o mau humor. Mas um novo estudo, publicado recentemente na prestigiada revista inglesa BMJ Nutrition Prevention & Health, vai além e revela uma conexão científica entre dieta hipocalórica e depressão. Os efeitos na saúde mental foram ainda mais pronunciados entre homens e pessoas com sobrepeso participantes do estudo.
Pesquisadores da Universidade de Toronto analisaram dados coletados de 28 mil adultos cujos hábitos alimentares foram acompanhados por cerca de uma década. Os participantes foram convidados a responder a questionários detalhando suas escolhas alimentares diárias típicas, quaisquer dietas que estivessem seguindo na época e a manter um registro de quaisquer sintomas depressivos. “Este estudo desafia a percepção generalizada de que essas dietas são universalmente benéficas. Os achados revelam que dietas restritivas podem, na verdade, piorar sintomas depressivos, especialmente em homens e pessoas com sobrepeso, corroborando estudos anteriores sobre diferenças baseadas em sexo biológico, mas expandindo o conhecimento ao mostrar vulnerabilidades específicas a sintomas somáticos”, destaca o médico psiquiatra Rodolfo Damiano, professor do programa de pós-graduação do Instituto de Psiquiatria da USP.
Cientistas apontaram deficiências de ácidos graxos ômega-3 e vitamina B12 nas dietas como as mais impactantes no humor. Crédito da foto: Freepik.

Cientistas apontaram deficiências de ácidos graxos ômega-3 e vitamina B12 como as mais impactantes no humor. “A pesquisa endossa a necessidade urgente de personalizar recomendações dietéticas, sugerindo que abordagens 'tamanho único' para orientação nutricional podem inadvertidamente prejudicar a saúde mental de grupos vulneráveis”, destaca o médico Rodolfo Damiano, chefe do ambulatório de Depressão Resistente ao Tratamento, Autolesão e Suicidalidade. Alimentos ultraprocessados, carboidratos refinados, gorduras saturadas e carnes processadas continuam sendo vilões da saúde, inclusive a saúde mental. Mas o valor nutricional dos alimentos é mais importante do que só contar calorias. Pular a sobremesa nem sempre é a saída para a felicidade.
Clique aqui para ver o estudo:
https://nutrition.bmj.com/content/early/2025/05/28/bmjnph-2025-001167
Sobre o médico psiquiatra Rodolfo Damiano (CRM-SP 190.747 | RQE 95.585):
O cuidado pelo outro com excelência. Essa é a missão do médico paulista Rodolfo Damiano, psiquiatra, palestrante, escritor, professor e pesquisador. Com 32 anos e 6 livros publicados, aliando ciência e humanidade, teoria e prática, diálogo franco e tecnologia, Rodolfo já é referência, no Brasil e no exterior, em pesquisas nas áreas de ansiedade, depressão, TDAH, Covid-19 e prevenção ao suicídio. Médico psiquiatra e doutor pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), pós-doutorando em Psiquiatria pela USP, em parceria com Yale University e Ohio State University (EUA). É professor do programa de pós-graduação do Instituto de Psiquiatria da USP, onde também coordena o ambulatório de Depressão Resistente ao Tratamento, Autolesão e Suicidalidade. Editor associado do Brazilian Journal of Psychiatry. CEO da Soul Clinic, no Rio de Janeiro, centro de medicina integrativa, e cofundador da Imensamente, plataforma de cursos em psiquiatria e saúde mental. Autor de Você Pode Amar e Ser Feliz (DISRUPTalks, 2024) e Cansei de Viver, e Agora? (Manole, 2024), e editor de Compreendendo o Suicídio (Editora Manole, 2021), Spirituality, Religiousness and Health (Springer, 2020), dentre outros. Voluntário da ONG Fraternidade sem Fronteiras, tendo participado de missões em Manaus (AM) e Madagascar e Malaui, na África. O amor transformando vidas, histórias e trajetórias. E a felicidade, tema central de seus estudos, a vitamina do corpo e da alma.
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