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Personalidade pode influenciar na procrastinação do sono

Publicado em 11 de junho de 2025 às 12:56h

Personalidade pode influenciar na procrastinação do sono

Estudo publicado recentemente na revista científica Sleep aponta que traços de personalidade como neuroticismo, extroversão e conscienciosidade podem estar diretamente ligados à tendência de adiar a hora de dormir.

Para a pneumologista e Especialista em Medicina do Sono, Jessica Polese, o levantamento traz uma nova perspectiva sobre o comportamento de procrastinação do sono, especialmente entre os jovens adultos.

“Antes de mais nada é preciso explicar os tópicos relacionados”, diz a médica. O neuroticismo refere-se ao nível crônico de desajustamento e instabilidade emocional; já a extroversão é a qualidade na pessoa que expressa facilmente seus sentimentos; e a conscienciosidade é o traço de personalidade caracterizado pela organização, responsabilidade”, explica Jessica.

A pesquisa mostra que o paciente sabe que deveria estar dormindo, mas não consegue se desligar, seja pelas emoções, pelo uso de telas ou por um estado de alerta constante. “Esse estudo mostra que isso não é apenas falta de disciplina, mas pode estar ligado ao perfil emocional da pessoa”, explica a especialista em Medicina do Sono.

A análise feita com 390 pessoas com média de 24 anos, por meio de diários e questionários aplicados ao longo de 14 dias, mostrou uma correlação entre o adiamento do sono e traços como maior neuroticismo e menor conscienciosidade e extroversão.

“Muitos desses indivíduos relataram experiências emocionais próximas da depressão, como a predominância de sentimentos negativos e ausência de prazer em atividades cotidianas”, pontua Jessica.

Ela alerta que a procrastinação do sono costuma levar a um ciclo de privação de descanso e fadiga crônica. A longo prazo, isso afeta não só o rendimento profissional e acadêmico, mas a saúde como um todo, inclusive a saúde mental”.

Para a médica, é fundamental olhar para a regulação emocional como parte do tratamento. “Quando a gente fala em higiene do sono, não basta só desligar o celular ou criar uma rotina de horários. Precisamos considerar o estado emocional em que a pessoa chega na hora de dormir. Se ela está ansiosa, frustrada ou deprimida, será muito mais difícil adormecer”, reforça.