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Janeiro Branco: como a saúde mental pode afetar os olhos?

Publicado em 21 de janeiro de 2025 às 14:54h

Janeiro Branco: como a saúde mental pode afetar os olhos?

O mês de janeiro, dedicado a campanha pela saúde mental, revela conexão entre a saúde dos olhos e da mente. Estudos demonstram que doenças oculares como catarata, glaucoma, olho seco, degeneração macular e retinopatia central serosa podem impactar significativamente a saúde mental, aumentando os riscos de depressão, ansiedade e isolamento social. Por outro lado, intervenções como a cirurgia de catarata têm mostrado benefícios não apenas visuais, mas também psicológicos.

A depressão é uma das doenças que mais preocupa órgãos de saúde mundiais, a Organização Mundial da Saúde (OMS), realizou um estudo no Brasil, que apontou quase 12 milhões de brasileiros com diagnóstico de depressão, atingindo cerca de 5,8% da população no país e se mantendo em terceiro lugar no ranking mundial de maior incidência da doença. Já a prevalência de depressão ao longo da vida está em torno de 15,5%.

Levantamentos também indicam que existe uma conexão clara entre o estresse e seus efeitos na visão. A ansiedade por si só pode causar o desenvolvimento de muitos sintomas oculares e visuais diferentes. Os pesquisadores descobriram que o estresse mental pode levar a sintomas, inclusive, de perda de visão, e os estudos mostram que pessoas que tiveram problemas oculares também relatam um aumento de estresse.

Segundo o oftalmologista e diretor da Macrovisão, Alexandre Pinheiro, entre os sintomas em decorrência do estresse estão a visão embaçada, halos ou sombras, nebulosidade na visão, flashes de luz, visão dupla, distorções visuais, visão de caleidoscópio, tensão ocular, músculos oculares doloridos, espasmos nos olhos, dores de cabeça e olhos lacrimejantes ou secos. Já as pessoas com perda de visão podem desenvolver ansiedade, depressão, isolamento social e exaustão emocional.

Ele explica que o estresse contínuo no corpo faz com que os níveis de cortisol e adrenalina aumentem, o que, por sua vez, afeta negativamente os olhos e o cérebro. “O cortisol, também conhecido como “hormônio do estresse”, é liberado pelo corpo em resposta ao estresse e afeta a pressão sanguínea, a respiração e a tensão muscular. Quando muito cortisol é liberado, pode interromper o fluxo sanguíneo entre os olhos e o cérebro, levando a problemas de visão”.


Tratamento

Não basta tratar apenas a condição ocular.  O especialista ressalta que é essencial abordar aspectos emocionais e sociais com as terapias corretas. “A atuação de uma equipe multiprofissional — envolvendo oftalmologistas, psicólogos, psiquiatras e outros profissionais de saúde — é indispensável. Além disso, o apoio da família e a iniciativa do próprio paciente em buscar ajuda são cruciais para o sucesso do tratamento”, orienta Pinheiro.

Estratégias de tratamento como a terapia, meditação e atividades físicas (ex. Yoga, cardio e musculação) também são aliadas importantes no controle do estresse e na prevenção de seus efeitos sobre a visão. Cuidar da saúde ocular vai além de garantir boa visão: é um passo fundamental para proteger a saúde mental e melhorar a qualidade de vida.