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Cirurgia inédita no Espírito Santo revoluciona o tratamento de Tourette.
Publicado em 18 de dezembro de 2024 às 12:53h
Cirurgia inédita no Espírito Santo revoluciona o tratamento de Tourette.
Procedimento inovador realizado por neurocirurgião da Ufes oferece nova esperança a pacientes com transtornos neuropsiquiátricos
A técnica de estimulação cerebral profunda, que envolve a implantação de eletrodos em regiões específicas do cérebro, já é muito utilizada para tratar condições como Parkinson, tremor essencial e dor crônica. Recentemente, essa tecnologia foi aplicada de forma inédita no Espírito Santo para o tratamento de uma doença neuropsiquiátrica. O procedimento foi conduzido pelo neurocirurgião Walter Fagundes, professor de Neurocirurgia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em um paciente diagnosticado com síndrome de Tourette — um transtorno que provoca comportamentos impulsivos e repetitivos. _373.webp)
De acordo com o médico, o paciente, um jovem adulto, apresentava níveis extremos de agressividade, chegando a arrancar uma grade da janela devido ao seu estado. Após tentativas frustradas com medicamentos e internações, a cirurgia foi recomendada.
“Neste caso, utilizamos a técnica de DBS (estimulação cerebral profunda) na região do hipotálamo. Essa área é muito delicada, responsável por regular funções essenciais como hidratação, metabolismo da glicose, controle corporal e sono, além de estar conectada ao sistema que regula nossas emoções”, explica o neurocirurgião.
Fagundes detalha que a tecnologia permite diversas configurações de frequência de estímulo, comprimento de onda e voltagem. “Dependendo do objetivo — seja inibir ou estimular uma área do cérebro —, os parâmetros elétricos variam.”
O eletrodo é inserido no cérebro e conectado a um marca-passo, que fica sob a pele no peito do paciente. “Por meio de um tablet e conexão Bluetooth, o médico ajusta os parâmetros de estimulação para um controle mais eficaz dos sintomas, sem causar efeitos colaterais”, acrescenta. Segundo o médico, atualmente, o marca-passo é recarregável, sendo necessário fazer recarga semanal e dura, em média, 10 anos.