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Terça-feira, 21 de julho de 2026
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Barriga inchada não é normal: quando o problema não está no prato, mas no intestino

Publicado em 7 de julho de 2026 às 16:08h

Barriga inchada não é normal: quando o problema não está no prato, mas no intestino

Quem nunca terminou uma refeição sentindo um leve desconforto abdominal? Em alguns momentos, isso pode acontecer. O problema é quando a sensação de barriga estufada, excesso de gases, dor abdominal ou alterações no funcionamento do intestino passam a fazer parte da rotina. Infelizmente, muitas pessoas se acostumam a conviver com esses sintomas, acreditando que eles são consequência apenas da alimentação ou do estresse.

É comum que pacientes retirem o leite, depois o glúten, aumentem o consumo de probióticos ou recorram a diferentes dietas na tentativa de resolver o problema. Algumas vezes há melhora, mas, em muitos casos, o desconforto persiste porque a verdadeira causa nunca foi investigada.

Nos últimos anos, a medicina tem ampliado o conhecimento sobre doenças relacionadas ao desequilíbrio da microbiota intestinal, especialmente o Supercrescimento Bacteriano do Intestino Delgado (SIBO) e o Supercrescimento Metanogênico Intestinal (IMO). Embora ainda pouco conhecidos pela população, esses distúrbios são responsáveis por sintomas que comprometem significativamente a qualidade de vida.

Na SIBO, bactérias que normalmente vivem no intestino grosso passam a ocupar o intestino delgado, fermentando precocemente os alimentos. Já na IMO, ocorre o crescimento excessivo de microrganismos produtores de metano, condição frequentemente associada à constipação intestinal. Em ambos os casos, o resultado é semelhante: produção exagerada de gases, distensão abdominal, dor, sensação de estufamento e alterações do hábito intestinal.

Mas os impactos vão além do desconforto digestivo. Quando esse desequilíbrio permanece por muito tempo, ele pode interferir na absorção de nutrientes importantes, favorecendo deficiência de ferro, vitamina B12 e vitaminas lipossolúveis. Muitos pacientes também relatam fadiga constante, dificuldade de concentração e sensação persistente de mal-estar, sintomas que nem sempre são imediatamente associados ao intestino.

O desafio é que essas manifestações se confundem com diversas outras doenças gastrointestinais, como a Síndrome do Intestino Irritável, a doença celíaca e as intolerâncias alimentares. Por isso, o diagnóstico exige uma avaliação cuidadosa e exames específicos.

Nesse contexto, o Teste Respiratório do Hidrogênio e Metano (TRHM) representa um importante avanço. Trata-se de um exame simples, seguro, indolor e não invasivo, que permite identificar alterações na fermentação intestinal por meio da análise dos gases eliminados na respiração após a ingestão de um substrato específico.

Como o organismo humano não produz naturalmente hidrogênio nem metano, a presença desses gases decorre da atividade dos microrganismos intestinais. Quando há elevação precoce dos níveis durante o exame, é possível identificar padrões compatíveis com SIBO ou IMO, direcionando o tratamento de forma muito mais precisa.

Vale destacar que o sucesso do exame depende de um preparo adequado. A dieta não fermentativa nas 24 horas anteriores, o jejum e o cumprimento das orientações médicas são fundamentais para garantir resultados confiáveis.

Mais importante do que descobrir o nome da doença é compreender que sintomas persistentes merecem investigação. Barriga inchada todos os dias não deve ser considerada normal. Quanto mais cedo identificarmos a causa do problema, maiores são as chances de oferecer um tratamento individualizado, aliviar os sintomas e devolver qualidade de vida ao paciente.

Divulgação


Diana Vivas

Gastroenterologista 

CRM-ES 13946 / RQE 8896