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Quinta-feira, 17 de setembro de 2026
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A cultura da produtividade e seus impactos na saúde mental

Publicado em 8 de setembro de 2026 às 14:57h

A cultura da produtividade e seus impactos na saúde mental

É fato que a sociedade atual valoriza extremamente a produtividade, velocidade, resultados e o alto desempenho. Vivemos em uma sociedade focada na alta performance. Nesse contexto somos pressionados a ser um sucesso público em todas as áreas. Precisamos dar conta o tempo todo.

Reforçando essa realidade temos as redes sociais que podem ser um ambiente de intensa comparação, onde se busca mostrar sempre o “sucesso”, como: o melhor ângulo, o melhor momento, a melhor conquista, a viagem linda, o relacionamento perfeito, a roupa da moda. O sucesso total. Onde a vida real dos bastidores é ocultada, e quem vive se comparando pelas redes sociais, acaba dizendo a si mesmo: “todo mundo está avançando, menos eu.” Ou “a minha vida é um fracasso”. Essa comparação constante pode corroer a autoestima, a motivação e a percepção de valor pessoal verdadeiro.

Outro fator que pode reforçar o sofrimento psicossocial é a superficialidade das relações, como já disseram: “Há muita conexão e pouca intimidade”. Há muita solidão em um mundo de muitas conexões virtuais. Está faltando profundidade nas relações e essa superficialidade dificulta a possibilidade de se falar sobre os sofrimentos pessoais. Ter quem queira nos ouvir de verdade está ficando cada dia mais raro.

A perda de valores e referencias também pode ser destacada como mais uma variável na crise humana, pois quando se perdem referencias e valores comunitários, familiares, relacionais, históricos, éticos e espirituais, há o perigo da desconexão existencial e a tentativa, então, de construir seu valor pessoal sobre o consumo, a aparência, o status, o reconhecimento e o desempenho. Isso é perigoso, pois nesse contexto qualquer fracasso pode parecer que a vida perdeu o seu sentido.

É fundamental destacar que essas realidades citadas aqui não explicam a ideação suicida e nem o suicídio, de forma alguma. Pois, esse fenômeno trágico tem causas multifatoriais. Mas a pressão social pode ser um reforçador de sofrimentos psicossociais, gerando cognições disfuncionais do tipo: “não sou bom o bastante”, “sou um peso”, “o que estou fazendo aqui?”, “Não há saída para mim” e outros pensamentos do tipo.

É preciso promover não somente no “Setembro Amarelo”, mas o ano todo, uma visão social e humana onde entendamos que ser saudável não significa ser forte o tempo todo, ter uma alta performance constante, mas sim nos permitir reconhecer fraquezas, limites e sensibilidades reais. Nosso valor não está no sucesso pleno, mas no fato de sermos humanos.

Precisamos normalizar o pedir ajuda, descansar, errar, chorar, recomeçar, falar sobre o sofrimento. Não precisamos lutar sozinhos, nem nos provar o tempo todo. Escolher o cuidado, a conexão e o pedido de ajuda também é uma forma de vencer e resistir. Existe ajuda disponível. Ligue 188 (CVV) procure uma UBS, uma UPA, o CAPS ou um profissional de saúde mental. A vida é maior que a performance. Pedir ajuda não é fracasso. É cuidado.

Ednilson Correia de Abreu é Psicólogo Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, Neurociência, Comportamento e Saúde Mental. (CRP 16/5930)