Inteligência Artificial nas Decisões Empresariais: Onde Está o Limite da Confiança?
Inteligência Artificial nas Decisões Empresariais: Onde Está o Limite da Confiança?
Alguns dias atrás, durante uma reunião com empresários, surgiu uma situação curiosa. Um gestor interrompeu a apresentação de um parecer técnico e disse: “Mas o ChatGPT respondeu diferente.” A observação foi feita com absoluta boa-fé. Afinal, hoje qualquer pessoa consegue fazer uma pergunta sobre direito societário, tributação ou incentivos fiscais e receber uma resposta em poucos segundos.
E aqui está o ponto que merece reflexão. Ferramentas de inteligência artificial são extremamente úteis para pesquisas preliminares. Eu mesma utilizo essas plataformas em diversas atividades do dia a dia profissional. Mas existe uma diferença fundamental entre uma resposta plausível e uma análise tecnicamente responsável. Modelos de IA trabalham com probabilidades linguísticas. Eles produzem respostas que parecem corretas, mas que nem sempre refletem a realidade normativa ou o contexto específico de uma operação empresarial. No Brasil, isso se torna ainda mais sensível. Nossa legislação tributária é uma das mais complexas e dinâmicas do mundo.
Além disso, programas de incentivo fiscal como Invest-ES, FUNDAP-ES ou Compete-ES, possuem requisitos técnicos, condicionantes econômicas e interpretações administrativas que exigem análise especializada.
Uma interpretação superficial pode levar a decisões equivocadas. E nesse momento surge a pergunta mais importante: Quem assume a responsabilidade por essa decisão? A inteligência artificial não responde por autuações fiscais. Não responde por perda de benefícios. Não responde por enquadramentos societários incorretos.
Quem responde é o profissional que analisa o caso concreto, interpreta a legislação aplicável e assina tecnicamente o parecer. Após mais de três décadas atuando na estruturação de projetos empresariais e incentivos fiscais no Espírito Santo, uma conclusão permanece constante: tecnologia acelera o acesso à informação.
Mas estratégia empresarial continua sendo um exercício de análise, experiência e responsabilidade técnica. A inteligência artificial pode ser uma excelente aliada. Mas decisões empresariais que envolvem patrimônio, tributação e estrutura societária exigem algo além de respostas rápidas. Exigem critério profissional.
A tributação inteligente transcende a mera economia fiscal. Representa a transformação de cada real de tributo em ferramenta estratégica para o crescimento da empresa.
Se a sua empresa está avaliando projetos, incentivos fiscais ou reestruturações societárias no Espírito Santo, vale a pena estruturar essa decisão com segurança técnica.
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