As coleções de alta joalheria de Dolce & Gabbana e Hermès unem arte, tradição e exclusividade - por Ruan Victor
As coleções de alta joalheria de Dolce & Gabbana e Hermès unem arte, tradição e exclusividade - por Ruan Victor
Enquanto o universo da moda se prepara para as próximas temporadas, duas das mais tradicionais maisons do luxo voltam seus olhares para um território onde criatividade, tradição e excelência artesanal se encontram: a alta joalheria. Nesta temporada, Dolce&Gabbana e Hermès apresentam coleções que vão além do valor das pedras preciosas. Cada criação carrega uma narrativa própria, reafirmando que o verdadeiro luxo está na capacidade de transformar cultura, memória e identidade em peças únicas.
Dolce&Gabbana: a joia como expressão da alma italiana
A Dolce & Gabbana reafirma sua paixão pelas raízes da Sicília ao lançar uma nova coleção de alta joalheria inspirada em símbolos religiosos, arquitetura barroca e na exuberância mediterrânea. A maison traduz sua identidade maximalista em colares, brincos e pulseiras que impressionam pela riqueza de detalhes.
Entre as peças de maior destaque está o exuberante colar em formato de Sagrado Coração, uma composição que une ouro amarelo, rubis, rubelitas, diamantes e turmalinas rosas cuidadosamente lapidadas. No centro da joia, uma delicada rosa esculpida e esmaltada é envolvida por uma sofisticada estrutura de filigrana, evidenciando o domínio técnico dos artesãos italianos.
A coleção ainda apresenta joias inspiradas na costa de Taormina, onde conchas, folhas, flores e pedras preciosas coloridas transformam elementos naturais em verdadeiras esculturas. Cada peça celebra o tradicional Fatto a Mano "o feito à mão", um dos pilares da identidade da marca. Mais do que adornos, as joias da Dolce&Gabbana traduzem emoção, teatralidade e uma visão artística que faz da joalheria uma extensão da moda italiana.
Se a Dolce&Gabbana celebra o excesso e a ornamentação, a Hermès segue um caminho oposto: o da sofisticação silenciosa. Em sua nova coleção de alta joalheria, intitulada “Into the Horsescape”, a maison francesa revisita seu legado equestre por meio de uma interpretação contemporânea e extremamente refinada. Sob direção criativa de Pierre Hardy, a coleção abandona representações literais de cavalos para explorar formas abstratas inspiradas no universo da equitação. Ferraduras, arreios, selas, laços e elementos metálicos utilizados nas ferragens ganham novas proporções e tornam-se esculturas preciosas.
Diamantes baguete, ouro, jade e titânio preto aparecem combinados em composições arquitetônicas de extrema leveza visual. O resultado são joias modernas, elegantes e quase minimalistas, capazes de revelar toda a complexidade do trabalho artesanal sem recorrer ao excesso. Cada criação evidencia uma das maiores virtudes da Hermès: transformar objetos funcionais em símbolos de design atemporal, preservando a excelência artesanal que acompanha a maison desde sua fundação.
Embora sigam linguagens estéticas completamente distintas, Dolce&Gabbana e Hermès compartilham um mesmo princípio: a alta joalheria como manifestação máxima do savoir-faire. Enquanto a maison italiana emociona através da exuberância, das cores intensas e da tradição siciliana, a Hermès conquista pela precisão das formas, pela pureza do design e pela elegância discreta. Em um mercado cada vez mais voltado para o consumo imediato, ambas demonstram que o verdadeiro luxo permanece ligado ao tempo, à técnica e à capacidade de contar histórias através de materiais preciosos. Mais do que acessórios, suas novas coleções reafirmam que a alta joalheria continua sendo uma das mais sofisticadas formas de expressão artística da moda.
Por Ruan Victor
Colunista de Moda e Comportamento | Revista Ícone