A moda hoje é criada por você, e as marcas estão seguindo seu estilo de vida.
A moda hoje é criada por você, e as marcas estão seguindo seu estilo de vida.
Quando o look do metrô vira manifesto e o guarda-roupa se transforma em ferramenta de expressão. RESUMO SPFW nº60
Por Ruan Victor, correspondente de moda da Revista Ícone
Durante a 60ª edição do São Paulo Fashion Week, ficou claro que a passarela mais influente do país não está mais restrita aos holofotes do Ibirapuera, ela começa nas ruas, nos vagões de metrô, nos bailes, parques e bibliotecas. A moda, hoje, é um reflexo direto da sociedade e de seus desejos. E as marcas estão ouvindo.
Glória Coelho: alfaiataria em movimento
Celebrando 50 anos de carreira, Glória Coelho levou sua coleção para dentro de um vagão de trem em movimento, partindo da estação Júlio Prestes. A proposta, intitulada “O futuro se constrói em movimento”, trouxe alfaiataria urbana com tecidos tecnológicos, transparências, tule e aplicações como corações e pétalas. A escolha do metrô como cenário reforçou a ideia de que a moda precisa acompanhar o ritmo da cidade e da vida real.
Dendezeiro: o manifesto da moda periférica
A Dendezeiro encerrou sua trilogia “Brasiliano” com o capítulo “Lei da Vadiagem”, uma coleção que resgata os bailes black dos anos 70 e os conecta com os bailes funk contemporâneos. A passarela virou pista de dança e palco de resistência. Com MC Carol e MC Cabelinho desfilando, a marca baiana reafirmou sua missão de celebrar a cultura negra e periférica. A parceria com a Kenner, marca de chinelos símbolo da moda urbana, reforçou o diálogo com a rua, com calçados que combinavam com alfaiataria oversized, tweeds e jeans estruturados.
Tendências que nasceram fora da passarela A SPFW N60 foi um verdadeiro espelho da criatividade popular. Entre os destaques:
* Crochê gráfico e brasilidade artesanal: LED, Ateliê Mão de Mãe e Amir Slama apostaram em texturas manuais e referências à fauna e paisagens brasileiras.
* Tecidos com efeito molhado e brilho acetinado: Bold Strap e Santa Resistência trouxeram peças que pareciam ter saído da água direto para a balada.
* Alfaiataria urbana e desconstruída: João Pimenta, Normando e Rafael Caetano mostraram que o terno pode (e deve) ir além do escritório.
* Maximalismo nos acessórios: Chapéus esculturais, brincos em forma de cadeiras e bolsas-luvas roubaram a cena.
Mais do que vestir, hoje as roupas comunicam. Elas revelam de onde você vem, no que acredita e como quer ser visto. Durante a SPFW N60, o correspondente da Revista Ícone, Ruan Victor, traduziu esse espírito em seus próprios looks, com curadoria autoral baseada no street style que o inspira.
Com peças do seu acervo pessoal e apoio de marcas capixabas, como Pesi oculos de sol, bolsas da designer Martha Campos e acessórios Bruna Carla semijoias, ele levou estilo, identidade e território para a maior semana de moda do hemisfério sul.