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Moradia sênior em evolução: o novo jeito de envelhecer no ES

Publicado em 6 de agosto de 2025 às 09:30h

Moradia sênior em evolução: o novo jeito de envelhecer no ES

Divulgação

Residenciais com “cara de lar” ganham espaço e atraem atenção pela inovação no cuidado à terceira idade

O Espírito Santo já soma mais de 630 mil pessoas com 60 anos ou mais — um crescimento de 70% em apenas 12 anos, segundo o IBGE. O dado revela o avanço do envelhecimento populacional no estado e reforça a necessidade de soluções voltadas a essa parcela crescente da população, que exige estruturas mais acolhedoras, funcionais e respeitosas com a individualidade de cada um.

Esse movimento demográfico é acompanhado por uma rápida expansão das Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) em todo o Brasil. Entre 2010 e 2021, o número de unidades saltou de 2.066 para 5.088 — um aumento de 146%, segundo levantamento da Fiocruz. No Espírito Santo, embora os dados atualizados ainda sejam escassos, estudo do Ipea já indicava a presença de 52 ILPIs em 2009, concentradas principalmente na Região Metropolitana.

Em Vitória, iniciativas vêm se destacando com propostas que seguem o conceito de envelhecimento ativo e assistido - combinando segurança, autonomia e estímulos à convivência. No bairro Pontal de Camburi, um residencial para idosos oferece moradia fixa, temporária e serviço de Day Care. O espaço conta com quartos individuais, atividades de estímulo cognitivo, terapia ocupacional, áreas comuns abertas e rotina compartilhada entre os moradores.

Os familiares são presença constante. O residencial adotou uma política de visitação sem restrições de horários, permitindo a participação ativa da família, inclusive durante as refeições, em almoços à beira do Canal de Camburi. Basta avisar com antecedência. O cardápio é adaptado às necessidades dos moradores, mas contempla também os gostos dos visitantes, promovendo um ambiente que remete ao clima familiar.

A programação inclui ainda música ambiente no deck com vista para o canal no fim da tarde. O repertório é montado com base na preferência dos residentes e busca resgatar memórias afetivas. As playlists personalizadas fazem parte da rotina de estímulos oferecida aos moradores.


Conforto e acolhimento

A cada nova chegada, histórias de vida são incorporadas ao cotidiano da casa. As trajetórias diversas ajudam a consolidar o espaço como um ponto de encontro entre gerações. A moradia para idosos, nesse modelo, rompe com a lógica de isolamento e reforça o vínculo comunitário, em sintonia com o avanço da chamada “economia prateada” — setor que já movimenta R$ 2 trilhões por ano no Brasil, segundo o Sebrae.

“Estamos vivendo mais e precisamos garantir que essa longevidade seja significativa — com saúde emocional, corpo ativo e organização financeira. Por isso, a pauta sobre moradia sênior no Espírito Santo vem ganhando tanta relevância à medida que o cenário demográfico pressiona o poder público, o mercado e a sociedade civil a repensarem o que significa envelhecer com dignidade”, afirma a médica e cofundadora da Mo’ã, Priscilla de Aquino Martins.