Arquiteto defende cidades mais humanas no Dia Mundial do Urbanismo
Arquiteto defende cidades mais humanas no Dia Mundial do Urbanismo
Neste sábado, 8, é celebrado o Dia Mundial do Urbanismo, que significa um convite à reflexão sobre o modo como planejamos e vivemos nas cidades. Para o arquiteto e urbanista Murillo Paoli, o debate sobre mobilidade e qualidade de vida urbana precisa ganhar prioridade nas pautas públicas e no comportamento cotidiano de quem ocupa os espaços urbanos.
“Precisamos pensar cidades para as pessoas — não para as máquinas”, defende Paoli. O arquiteto tem chamado atenção para o que continua acontecendo no país em geral: “É preciso investimento em cidades mais inteligentes que priorizem o pedestre, o ciclista, com mais acessibilidade e transporte público de qualidade, e no caso do Espírito Santo, mais opções. A chegada do aquaviário melhorou um pouco o dia a dia das pessoas, mas de uma forma muito pequena, é preciso usar mais esse espaço, é preciso mais ciclovias, menos carros, etc.
Paoli também alerta para os impactos da popularização dos veículos elétricos individuais, como as motos e bicicletas autopropelidas, que têm ocupado ciclovias e calçadas sem regulamentação adequada. Para ele, o fenômeno expõe o desequilíbrio das cidades que ainda priorizam o transporte motorizado em detrimento da mobilidade ativa. “Continuamos repetindo o erro de sempre: dar mais espaço ao motor e menos às pessoas”, observa. “Enquanto chamarmos esses veículos de ‘bikes elétricas’, estaremos mascarando um problema maior: o da perda do espaço público e do incentivo à mobilidade individualista veloz e hostil", pontua.
Além da mobilidade, Paoli defende uma nova relação com o espaço urbano, especialmente em áreas históricas, como o Centro de Vitória. Ele participa de iniciativas voltadas à revitalização da região, apostando em calçadas amplas, ciclovias contínuas, arborização densa e transporte coletivo eficiente. “O Centro tem tudo para ‘viver’ de novo e se manter vivo. Construções históricas, espaços culturais e identidade própria. A intenção é provocar uma reflexão: é hora de imaginar cidades menos carrocêntricas, mais humanas e voltadas para as pessoas”, reforça.
Os projetos e debates sobre mobilidade urbana, habitação social e requalificação de espaços públicos também faz parte do dia a dia do arquiteto. Ele ressalta que a urbanização das cidades brasileiras ainda é marcada pela desigualdade: enquanto alguns bairros recebem investimentos em infraestrutura e mobilidade, outros carecem de moradia digna, transporte eficiente e áreas verdes.
“Uma cidade justa começa pela moradia”, afirma. “Habitação social não é apenas construir casas, mas garantir que as pessoas vivam próximas ao trabalho, ao transporte e aos serviços. Isso é política pública de verdade — e é urbanismo em sua essência.”
