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Centro Interpretativo da Aldeia de Reis Magos prorroga por mais 40 dias exposição Micélios, de Kyria Oliveira

Publicado em 11 de junho de 2025 às 14:12h

Centro Interpretativo da Aldeia de Reis Magos prorroga por mais 40 dias exposição Micélios, de Kyria Oliveira

Divulgação.

O Centro Interpretativo da Aldeia de Reis Magos, localizado em Nova Almeida, na Serra, prorrogou por mais 40 dias a exposição “Micélio – entre o fim e começo de tudo”, da artista visual e escultora Kyria Oliveira, em exibição na galeria do monumento. O grande número de visitantes e suas críticas elogiosas motivaram o adiamento.  

Os capixabas têm agora até o dia 30 de julho para conferir a mostra da premiada escultora, que retrata algumas das formas icônicas desses organismos (parte vegetativa de um fungo) e exibe toda a inspiração de seu belo e enigmático reino. A exposição apresenta uma instalação com esculturas têxteis de feltro, feitas a partir de cultura ancestral, por meio do processo da feltragem. A galeria leva o nome do religioso jesuíta português Belchior Paulo, um dos primeiros pintores a exercer o ofício da arte no Brasil, no final do século XVI.  

Segundo a curadora do projeto Micélio, Clara Pignaton, a exposição sugere um ciclo contínuo. “Por serem, ao mesmo tempo, decompositores e regeneradores, os fungos carregam o mistério da transformação e do imponderável. Esses seres da terra, tão antigos e atuais, garantem sua sobrevivência a partir do engajamento em suas relações de colaboração”, afirma.  

A instalação de Kyria Oliveira aproxima o visitante desses seres espontâneos e pulsantes, que se proliferam em múltiplas formas. “Curiosa e atenta, a artista fabula sobre a paisagem invisível, submersa e, ao mesmo tempo, estratosférica. Suas peças nos oferecem aberturas e rasgos que são um convite à permeabilidade e ao olhar por dentro e através delas, com texturas e fios que esmaecem em direção ao teto, sugerindo algumas das infinitas possibilidades de uma rede micelar, quase sempre oculta”, explica Clara Pignaton.  

O trabalho reflete, entre outros aspectos, a construção do mundo que habitamos e a atual crise climática resultante da ação humana como agente geológico de mudanças globais.  

Para Erika Kunkel, presidente do Instituto Modus Vivendi e gestora do Centro Interpretativo da Aldeia de Reis Magos, a exposição de Kyria se conecta ao projeto concebido para o museu, que se tornou um espaço dedicado à manifestação da arte e aberto à comunidade. “A mostra nos convida a nos abrirmos às múltiplas temporalidades para resgatar práticas mais éticas de coabitação no mundo. Queremos que esse espaço enriqueça ainda mais a cena cultural capixaba e fomente a arte na Serra”, enfatiza.  

Para completar o sucesso da amostra, a artista, fará uma conversa com alunos e colecionadores de obras de arte no dia 24 de junho, às 14 horas, no Centro de Interpretação da Aldeia de Reis Magos. As inscrições estão sendo feitas pelo site www.institutomodusvivendi.org.br.


A artista

Kyria Oliveira é artista visual, natural de Minas Gerais, e mudou-se para o Espírito Santo ainda criança, onde se estabeleceu. Graduada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e experimental por natureza, trabalha com obras que dialogam entre o único e o múltiplo, entre o bastardo e o nobre, tendo como tema recorrente o estudo da casa e do morador.  

Em 2023, participou da Bienal Internacional de Arte de Macau, Vila Nova de Cerveira Pavilion. Foi artista convidada da XXII Bienal Internacional de Arte de Cerveira, em Portugal (2022); e selecionada para a Galeria de Arte Nello Nuno, em Ouro Preto (MG), com o projeto Liames. Também colaborou nas exposições Crea Zona Oberta, MUXART, Espai d'Art i Creació Contemporanis, em Barcelona, Espanha (2021); e Doações ao Museu Bienal de Cerveira, em Vila Nova de Cerveira, Portugal (2021).  

Foi premiada na XXI Bienal Internacional de Cerveira, em Portugal, com o Prêmio Aquisição (2020); recebeu Menção Honrosa na VI Bienal de Valência Ciutat Vella Oberta, na Espanha (2019); e conquistou o Prêmio Lorenzo il Magnifico, na XII Bienal de Florença, na Itália (2017). Entre 2016 e 2018, foi coordenadora da Galeria Homero Massena, em Vitória, e do Museu do Colono, em Santa Leopoldina.