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Brasil segue líder em cirurgias plásticas e registra crescimento, enquanto o mundo apresenta queda

Publicado em 15 de julho de 2025 às 15:01h

Brasil segue líder em cirurgias plásticas e registra crescimento, enquanto o mundo apresenta queda

Cirurgião plástico Ariosto Santos analisa os dados e destaca o protagonismo brasileiro, o aumento do turismo médico e a alta na procura por cirurgias faciais

Os números divulgados pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) no final de junho, durante o Congresso Mundial das Olimpíadas ISAPS em Singapura, revelam um cenário de contrastes, pois, enquanto o número global de procedimentos cirúrgicos caiu 6,7% em 2024, o Brasil apresentou um crescimento de 7,5% no mesmo período, reforçando sua posição como o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo. O recente caso das transformações de face da cantora Anitta mostra o fascínio estético que o Brasil está inserido.  

 Segundo o cirurgião plástico Ariosto Santos, esse crescimento pode ser explicado por diversos fatores. “O Brasil continua sendo referência internacional em cirurgia plástica, tanto pela qualidade técnica dos profissionais quanto pelo custo mais acessível. Isso atrai cada vez mais pacientes estrangeiros, além de refletir a retomada da economia e o culto à estética, muito presente na cultura brasileira”, explica o médico.

Dados do Brasil x Mundo

 De acordo com o relatório, o Brasil realizou 2,354 milhões de procedimentos cirúrgicos em 2024, superando os 2,185 milhões registrados em 2023. Enquanto isso, o total de cirurgias no mundo caiu, evidenciando a força do mercado brasileiro.

 No ranking dos cinco procedimentos mais realizados no Brasil, a lipoaspiração segue na liderança, com 12,3%, seguida por aumento de mamas (9,9%), cirurgias de pálpebras (9,8%), cirurgia de abdômen (8,2%) e aumento de glúteos (7,1%). Já no cenário mundial, a cirurgia de pálpebras lidera (12,1%), ultrapassando a lipoaspiração (12%).

 Dr. Ariosto explica que, embora a lipoaspiração continue como a queridinha dos brasileiros, ela apresentou uma leve queda em números absolutos: de 307 mil em 2023 para 289 mil em 2024. “Isso pode ser reflexo da maior busca por procedimentos com foco facial, como vimos no crescimento expressivo de cirurgias como rinoplastia e necklift”, comenta.


Cirurgias de face em alta

 Outro dado que chama atenção é o crescimento das cirurgias faciais, que aumentaram 10% no Brasil, passando de 110 mil em 2023 para 121 mil em 2024. Destaque para:

· Cirurgia de pálpebras: aumento de 8% (de 216 mil para 231 mil);

· Necklift (cirurgia de pescoço): alta de 30% (de 75 mil para 98 mil);

· Rinoplastia: crescimento de 15% (de 87 mil para 102 mil).

 “O rosto voltou a ganhar protagonismo. Isso pode estar ligado à maior exposição em redes sociais e uma valorização crescente da estética facial, além de influencers, como a cantora Anitta, que passou por transformações significativas na face, como a elevação dos terços superior e médio da face, com realce das maçãs do rosto e do olhar. A técnica usada provavelmente foi o Deep Plane, que reposiciona a musculatura da face para um resultado mais natural e duradouro. O lábio superior também passou por um Lip Lift, aumentando a espessura e deixando o contorno mais definido”, analisa Dr. Ariosto.

 

Turismo médico e público masculino em ascensão

 O turismo médico também cresceu: 8,2% dos pacientes operados no Brasil em 2024 vieram de outros países. Em 2023 havia sido 6% de crescimento em relação ao ano anterior. Os principais países de origem são Estados Unidos, Portugal e Itália. “É um crescimento expressivo e mostra como o Brasil se consolidou como destino para quem busca cirurgia plástica com excelência”, ressalta Dr. Ariosto.

 Outro dado relevante é o aumento da participação masculina nas cirurgias. Em nível global, os homens passaram de 14,3% para 16,1% dos pacientes. No Brasil, estima-se que 21% dos procedimentos já são feitos por homens. Entre os procedimentos mais procurados estão cirurgia de pálpebras, ginecomastia e lipoaspiração.

 

Cirurgias de mama: aumento em alguns procedimentos, estabilidade em outros

 Em relação às cirurgias de mama, o aumento foi significativo. O aumento de mama teve alta de 12% no Brasil (de 227 mil para 232 mil em 2024), enquanto a redução mamária cresceu 21%. Já o lifting de mamas sem prótese teve uma leve queda de 1% e o explante de silicone aumentou 2,5%.

 “A busca por resultados mais naturais e proporcionais continua sendo uma tendência. Muitas pacientes estão optando por próteses menores ou até pelo explante, buscando harmonia corporal ao invés de volume excessivo”, avalia o cirurgião.

 

Perfil do público

 A maior parte dos procedimentos ainda se concentra na faixa etária entre 18 e 34 anos, que representa 54% das cirurgias de mama realizadas em todo o mundo. No Brasil, essa tendência também se mantém, com uma crescente adesão entre pessoas acima dos 50 anos.  

 “Temos visto um público mais maduro buscando melhorias estéticas. A cirurgia plástica deixou de ser exclusividade dos jovens e passou a representar uma ferramenta de bem-estar em diferentes fases da vida”, conclui e destaca Ariosto.